sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Mais uma do secretário equívoco


Nem só de Joana Darc se alimenta a fogueira das vaidades, do mandonismo apequenado, da arrogância pascácia de pretensos detentores de um poder que não vai muito além do simples fato de ostentar um cargo público duplamente impotente.

Aqui na Bahia, Salvador, tivemos Joana Angélica e Maria Quitéria, mártires da liberdade e da independência, valores pelos quais também foi sacrificada a querida deusamusa, Ilna Baptista, demitida do cargo de gerente de produção da Fundação Gregório de Mattos.

Explico: Ilna esteve ao lado dos delegados municipais na histórica decisão de abandonar a plenária da II Conferência Territorial de Cultura, dias 7 e 8 passados, na sede do Liceu de Artes e Ofícios, em Salvador, em razão do desempoderamento público a que a mesma foi submetida pelos prepostos da secult.

Ilna foi também a coordenadora da III Conferência Municipal de Cultura, organizada pela Fundação Gregório de Mattos num esforço hercúleo para dotar a cidade dos seus delegados à conferência estadual de cultura, do seu Conselho Municipal de Cultura, do seu Fundo Municipal de cultura e, num momento adiante, da sua Secretaria Municipal da Cultura que viria a somar com a Fundação Gregório de Mattos na gestão da cultura no município que há muito tempo vem sendo tratada como o caroço da passa de um passado que insistia em se manter em cena.

Em razão disso diversos participantes da III Conferência Municipal de Cultura mostraram-se ora céticos e críticos, mas esperançosos de uma mudança que promovesse, primeiro o real funcionamento da FGM, e como conseqüência, a possibilidade de se abrir um diálogo mutuamente respeitoso com os trabalhadores em arte e cultura de Salvador, notadamente os setores excluídos pelo gestor estadual, o secretário equívoco, Márcio Meirelles.

Mesmo assim diversos ativistas culturais com alta consciência crítica dos desmandos das administrações passadas na cultura do município e nas gestões passadas e na atual do estado da Bahia foram eleitos delegados municipais de cultura. Sabedor disso o senhor Márcio Meirelles fez de tudo para esvaziar a II Conferência Territorial de Cultura com o firme propósito de impedir que um grande contingente de opositores fosse a Ilhéus “bagunçar” a SUA conferência estadual de cultura.

O esvaziamento obrigou a que apenas seis delegados fossem eleitos para representar dez cidades da região metropolitana, incluindo Salvador, cuja delegação propôs a quebra do regulamento pelo poder soberano e pleno da plenária e a votação de vinte e cinco delegados para a região metropolitana.

Ao ser notificada que o poder da plenária era “pleno até certo ponto”, os delegados de Salvador retiraram-se da conferência junto com os delegados governamentais de Itaparica e Vera Cruz. Isso inclusive foi filmado e consta no vídeo que já está no You Tube. Compreendemos a defesa que a delegada civil fez da secult, e realmente, ELA não estava com a nossa delegação.

Confirmada a nossa decisão imediatamente o senhor Márcio Meirelles ligou várias vezes para a FGM exigindo que o seu presidente Antonio Lins nos convencesse a voltar atrás. E pediu a cabeça da gerente Ilna Baptista. Insistiu várias vezes no seu intento, mas o presidente da FGM manteve-se firme. Teve até telefonema do governador nesse sentido, o que não abalou a postura do poeta gestor da cultura municipal. O secretário então partiu para a estratégia de vingar-se tentando jogar o interior do estado contra a capital, confirmando mais uma vez o tamanho do seu caráter.

E passou a acusar a FGM de aceitar como delegados pessoas que se mostraram críticos da gestão cultural do município e do estado e de ter fomentado a tomada de posição da delegação municipal, desqualificando, invisibilizando e desrespeitando frontalmente o conjunto dos delegados municipais e cada delegado pessoalmente, reduzindo todos a meros fantoches, marionetes descerebrados da instância municipal de cultura, supondo que no município acontece o mesmo tipo de política que é comum na sua gestão: a cooptação bizarra de artistas, escritores, gestores e ativistas da cultura em todo o estado e com isso a fácil manipulação de pessoas e entidades para o trabalho politiqueiro de reeleger Jaques Wagner.

Assim o atual secretário da cultura acusa a FGM de fazer na prática a democracia que ele teoriza, mas não pratica, ao não admitir oposição, crítica, oponentes, opostos, seguindo desse modo a linha política leninista-estalinista ou comuno-fascista de gestão da coisa pública que ordena “destruir o que não pode ser controlado” ou “usar da mentira e implantar o terror entre as fileiras inimigas” (Lênin).

Porque a FGM não teve NADA a ver com a decisão dos delegados municipais e em momento algum se meteu na hora da eleição dos delegados, como faz a secult nas SUAS conferências. Manipula, tergiversa, mente, joga uns contra os outros pela simples ambição da hegemonia e do totalitarismo cultural em nosso estado para gáudio dos leninistas-estalinistas, das “viúvas” ou “órfãos” de Lênin e Stálin, os carniceiros vermelhos.

Realmente, entre os delegados estão muitos dos que criticaram com veemência a Fundação Gregório de Mattos. Mas foram eleitos muito pelo simples fato de ser um poeta, e não um equívoco, a dirigir a FGM. E de contarem com o apoio irrestrita de Ilna Baptista e de toda a equipe da Fundação Gregório de Mattos, ao contrário da secult que nos vê a todos como inimigos que devem ser destruídos ou cooptados e virarem “mortos-vivos”. Porque Márcio tenta a todo custo a vingança, a perseguição, a exoneração, a exclusão dos que, num estado plural como o nosso, pensam diferente do secretário.

A secretaria estadual da cultura devia parar um pouco de cooptar e manipular para perceber que as políticas públicas de que precisamos já estão criadas há muito tempo, que o seu papel principal é o de apoiar e fomentar essas políticas já existentes em todo o estado. Na verdade as conferências, fóruns, encontros, seminários são muito mais ações de marketing político porque não precisamos de mais propostas que nunca são executadas, como acontece até então, depois de três anos de gestão.

Precisamos sim, de executar as novas propostas, mas principalmente de apoiar por todos os meios disponíveis, e por criar, de financiamento e apoio cultural às políticas que estão sendo praticadas há muito tempo sem apoio algum.

Não dá mais para o secretário brincar de “faz cultura” e usar o “fundo de cultura” sem ir ao fundo das questões principais da cultura baiana como um todo, sendo que a principal delas é justamente o descaso, a desvalorização, a desqualificação absoluta das políticas que o público já vem pondo em prática e multiplicando, de modo precário muitas vezes, mas sem depender dos recursos que deveriam receber prioritariamente de um estado consciente de seu papel de indutor da produção e da qualificação da cultura.

Cego de vingança agora o secretário Márcio tenta por todos os meios impedir que os delegados municipais viajem, mesmo sem direito a voto, para a conferência em Ilhéus. Para tanto não demonstra o menor escrúpulo em usar alguns integrantes do demoníaco “Conselho Estadual de Cultura”, demoníaco porque não passa de um ninho de “viúvas do carlismo”, as REAIS viúvas ligadas ao DEM, por sinal muito bem pagas e que infestam o governo Wagner agindo livremente com suas velhas e conhecidas práticas facistóides, mas em total consonância e obediência às ambições do governador.

É mesmo uma pena que o secretário Márcio não tenha um mínimo de humildade e de capacidade de diálogo. Diretor Teatral do tipo “autoritário” quer fazer de todos nós seus atores marionetes com o mesmo esquema do saco de moedas e do chicote. O saco de moedas foi pulverizado pelos territórios de identidade para esconder as carretas de dinheiro que continua a rolar para os mesmos privilegiados pelos governos passados dos quais Márcio sempre foi serviçal convicto e bem aquinhoado. E o chicote agora é eletrônico para alcançar em tempo recorde a multidão de desafetos que o secretário mantém, sob o peso de sua mão, neutralizados, conformados, invizibilizados.

Foi com esse mesmo chicote eletrônico em rede de perversidades que conseguiu atear fogo em Ilna Baptista, a musa dos delegados municipais de cultura, e vem ateando em todo aquele que lhe tem voz crítica. Como não sabe dialogar, reconhecer que errou e pedir desculpas, o truculento e vingativo secretário se vale de um manancial imenso de mentiras com as quais armou o cenário do grande espetáculo ilusionista de uma cada vez mais improvável reeleição.

Geraldo Maia, poeta, escritor, arte educador, ambientalista, editor, e delegado municipal de cultura.

10 comentários:

  1. As respostas da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia para esta nota pública podem ser vistas nos seguintes links:

    http://blogdaconferencia.com/secult-responde-a-nota-publica-parte-i-esclarecimentos/

    http://blogdaconferencia.com/secult-responde-a-nota-publica-parte-ii-observacoes-sobre-a-conferencia/

    Estamos disponíveis para prestar outros esclarecimentos.

    Atenciosamente,

    Assessoria de Comunicação - SecultBA
    (71) 3103-3016 / 3026 / 3027
    ascom@cultura.ba.gov.br
    http://plugcultura.wordpress.com
    http://www.flickr.com/photos/secultba/
    http://twitter.com/SecultBA
    http://www.cultura.ba.gov.br

    ResponderExcluir
  2. O secretario marcio e a secult deveriam ter vergonha do descaso com a cultura de salvador e da Bahia... Marcio meirelles é uma das farsas mais farsas que insiste nesse grupo vazio, nessa admnistração ridicula do grupo Jaques Vagner, um governo ridiculo sem propostas e vaZIO.

    FORA A JAQUES VAGNER 2010!!!!!!!!!!!!!!!

    ResponderExcluir
  3. O desmantelamento e todo aparelho nazi-fascista criado no Governo do EStado é explícito na medíocre e autoritária falta de gestão do Sr Meirelles e seus apaniguados "meninos da facom". QUem é o Superintendente de Cultura, o Chefe de gabinete, quem faz parte das ditas comissões dos tais editais? EStão perseguindo os que pensam na cidade, no EStado. Que democracia e transparência é essa? LOgo essa gente que se arvorou a gritar aos quatro cantos a BAHIA DE TODOS NÓS, A CULTURA DE TODOS NÓS.
    UMA VERGONHA, OS ARTISTAS, O POVO DA BAHIA NÃO PODE CALAR. Como perguntou João Ubaldo Ribeiro: Cadê o brio do povo baiano?

    ResponderExcluir
  4. EU QUERIA SABER PQ ESSE SITE É TÃO DESATUALIZADO?
    AS NOTÍCIAS CORREM MINHA GENTE, NÃO DÁ NEM PRA REAGIR. QUANDO VOCES DEIXAM DE PUBLICAR AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS ( E QUE TODO DIA TEM) VOCES ESTÃO PREJUDICANDO A LUTA DOS ARTISTAS. A MENOS QUE NO GRUPO DE VOCES HAJA GENTE TORCENDO PARA O OUTRO LADO - O QUE É BEM POSSÍVEL.
    J´PA NOTARAM QUE QUASE NINGUEM REAGE MAIS AOS TEXTOS.
    AFINAL QUE EQUIPE É ESSA? QUEM TRABALHA AÍ? TENHO MUITAS DÚVIDAS!
    ACORDA MINHA GENTE!

    ResponderExcluir
  5. Agradecemos pelo comentário e o(a) convidamos para ser um(a) dos(as) colobaradores(as) de textos assinados. Afinal, somos muitos os insatisfeitos e muito poucos tentando fazer alguma coisa, efetivamente.

    ResponderExcluir
  6. Sei que o descontentamento com o secretário de cultura é muito grande, mas creio que isso não é uma voz baiana. Pode até ser soterapolitana, mas não baiana. Talvez o costume de achar que a Bahia era Salvador e Recôncavo leve a muitos a criticar o processo de interirização de recursos e políticas no estado, mesmo porque, muitas queixas ultrapassam a avaliação da gestão da cultura no estado e são reflexos de questões particulares. Observando a III Conferência Estadual de Cultura pode-se perceber que existe um grande caminho a perseguir, mas muito já foi andado. E se a crítica é de que a cultura está na UTI, agradeçam. Quando conheci a gestão da cultura antes de márcio meirelles, achei que a cultura já tinha sido morta.

    abraços

    ResponderExcluir
  7. Agradecemos o comentário mas, temos a maior convicção de que, qualquer colocação tem seu valor assegurado quando identificado. Se posicione...clara e especificamente.

    ResponderExcluir
  8. Que bobinha essa comentarista anônima que diz que a cultura estava morta. Que bobinha! Quem pode matar a cultura. Bem, pelo que eu sei, ninguém, só se extinguissem a humanidade. O que está em questão é algo mais complexo que são os meios de produção, de fomento, de manutenção dos mecanismos de estímulo à cultura, particularmente os ligados à produção de arte. Esses sim, foram desmantelados pelo atual secretário de Cultura cumprindo a desastrosa determinação dos ideólogos do PT. E a primeira idiotice disso tudo é dividir a Bahia em duas. Que ingenuidade, que bobagem cavalar! Tudo é feito para uma só Bahia, agora é preciso ver quantos estão capacitados para disputar as ofertas de fomento. Esse é o cerne do problema e seria uma solução se todos pudessem atuar em iguais condições, os do interior e os do litoral. Agora diga-me, uma coisa Anônima assassina da Cultura, onde estão os produtos do interior realizados por esta gestão que você considera maravilhosa? Ah, nos currais territoriais. Bem, isso não vou discutir porque não sou gado nem pertenço a seitas evangélicas para me submeter a lavagem cerebral. Quero ver o que foi produzido nesses três anos de desmantelo! Somente isso e eu me calaria. E assino, porque anônimo não sou. GIDEON ROSA.

    ResponderExcluir
  9. Concordo que ser anônimo seja um tanto até ridículo Gideon, mas segui a tônica da maioria dos comentários. E para a superinteligência que diz que a cultura não morre, também concordo, só segui a metáfora parecida com a da UTI (o que não precisa ser tão inteligentíssimo assim para entender).

    ResponderExcluir
  10. Com a saída de Meirelles, vamos ver se o atual Secretário de Cultura, o Dr. Albino Rubim, ilustríssimo estudioso da Cultura, portanto conhecerdor do tema de cátedra, olha as trapalhadas de seu colega e resgata, pelos menos, o que existia, mantendo aquilo que potencialmente foi bom do trabalho de Meirelles (o que acho que ele vá ter dificuldade de achar).

    O campo dos museus nunca esteve tão mal. Depois do sistema "Solaris", de gestão centralizada de 9, repito, NOVE, instituições museológicas, gerido pelo protegido de Márcio Meirelles, amigo de suas relações pessoais, o Daniel Rangel, qualquer coisa é esperada. Museu é campo de cultura, de dinâmica, colocar tudo num mesmo pacote e gerí-los sem respeitar suas especificidades é o mesmo que ignorar que cultura é dinâmica, por princípio.

    ResponderExcluir