domingo, 29 de novembro de 2009


A classe artística pode e deve imediatamente reagir a declaração (jornal A TARDE, 27.11.2009, pág. A-8, editoria de Salvador) arrogante e cínica do diretor do Teatro Castro Alves quando, para tentar justificar a ausência de inscrições para os editais do Núcleo do TCA, disse: “Meu questionamento a isso tudo é que talvez essa propalada crise na cultura esteja acontecendo dentro do cerne (sic) dos criadores. Mas vamos relançar o edital do tema livre ainda em dezembro em data a ser anunciada até o fim da semana que vem... no caso de novamente não haver inscritos com documentação em ordem minha posição é de que não haja uma terceira tentativa... “

Os stanilistas remanescentes – no Brasil e no mundo – devem estar todos com os pelos eriçados. Jamais, em tempo em algum, foram tão competentes quantos esses gestores da cultura baiana: eles possuem talento inigualável para mentir, distorcer, manipular, cooptar, coagir pela força do vil metal e, principalmente, enriquecer aproveitando as brechas da legislação, mantendo a cara de humildade.

Qualquer gestor com uma vírgula de humildade iria desejar investigar as razões pelas quais os artistas baianos não quiseram se inscrever nos editais do Núcleo do TCA. Se assim o fizesse, iria descobrir que a razão pela qual os artistas se afastaram – àqueles que ainda possuem brios e respeito pelo seu ofício – é pelo simples fato de não desejarem se submeter ao atual grau de dirigismo do processo criativo embutido nos editais. Os editais estão atualmente configurados de modo nocivo à produção artística, e, claro, ao processo criativo. Os editais são – todos, indistintamente, não importa a unidade, se na Funceb, se no Irdeb, se no TCA, em qualquer campo – um emaranhado manual de como os artistas devem manejar seu processo criativo. Isso é uma afronta inaceitável para quem se respeita!

Aí então, àqueles que ainda possuem algum discernimento se recusam a concorrer a um prêmio de R$ 200 mil para uma montagem (menos o desconto linear de 20%), cujo edital estipula um número mínimo e máximo de atores, o que configura uma descarada ideologia de reparação social através da arte. Além disso, exige-se um piso salarial de R$ 2.500,00 (para atores) e técnicos (variadas faixas) durante três meses. Mas esquecem de fazer as contas. Quem é o artista que, antes de começar, conhece todas as démarches do processo criativo? Ainda não nasceu quem o soubesse. Um processo criativo pode durar um mês, 14 ensaios, 40 ensaios, não há parâmetro; só as necessidades do trabalho vão determinando isso.

Para agravar, os editais exigem que os ganhadores ministrem uma série de oficinas tão idiotas que o coitado passará mais tempo elaborando as oficinas (se for honesto, claro) que não terá tempo de pensar artisticamente em sua própria montagem. Sem falar que as parcelas não são pagas no tempo devido, mas as despesas de produção não esperam, e a prova disso é que a última produção do Núcleo do TCA (Jeremias...) teve um final melancólico: dívidas, brigas internas, inadimplência, troca de elenco etc.

Mas os editais da Funarte, Caixa Cultural, Petrobrás e outros que existem por aí têm salvo parcialmente a situação. A vitória dos artistas baianos nesses editais externos comprova, com clareza, que os artistas baianos não estão em crise criativa. A crise é, verdadeiramente, de gestão, de ausência de um plano para as artes, como confessou publicamente o próprio secretário, muito embora a grande mídia não tenha registrado essa frase emblemática. Em resumo, são esses editais externos que permitem que se dê uma pequena volta por cima dessa perseguição implacável aos artistas implementada pelos atuais gestores da cultura baiana. São eles que têm mantido a dignidade mínima da produção artística da Bahia. Poderia ser mais, mas a arrogância resolveu colocar tudo no mesmo balaio e o resultado é uma confusão da qual nem eles próprios conseguirão mais sair.

Gideon Rosa é ator e jornalista.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Mais uma do secretário equívoco


Nem só de Joana Darc se alimenta a fogueira das vaidades, do mandonismo apequenado, da arrogância pascácia de pretensos detentores de um poder que não vai muito além do simples fato de ostentar um cargo público duplamente impotente.

Aqui na Bahia, Salvador, tivemos Joana Angélica e Maria Quitéria, mártires da liberdade e da independência, valores pelos quais também foi sacrificada a querida deusamusa, Ilna Baptista, demitida do cargo de gerente de produção da Fundação Gregório de Mattos.

Explico: Ilna esteve ao lado dos delegados municipais na histórica decisão de abandonar a plenária da II Conferência Territorial de Cultura, dias 7 e 8 passados, na sede do Liceu de Artes e Ofícios, em Salvador, em razão do desempoderamento público a que a mesma foi submetida pelos prepostos da secult.

Ilna foi também a coordenadora da III Conferência Municipal de Cultura, organizada pela Fundação Gregório de Mattos num esforço hercúleo para dotar a cidade dos seus delegados à conferência estadual de cultura, do seu Conselho Municipal de Cultura, do seu Fundo Municipal de cultura e, num momento adiante, da sua Secretaria Municipal da Cultura que viria a somar com a Fundação Gregório de Mattos na gestão da cultura no município que há muito tempo vem sendo tratada como o caroço da passa de um passado que insistia em se manter em cena.

Em razão disso diversos participantes da III Conferência Municipal de Cultura mostraram-se ora céticos e críticos, mas esperançosos de uma mudança que promovesse, primeiro o real funcionamento da FGM, e como conseqüência, a possibilidade de se abrir um diálogo mutuamente respeitoso com os trabalhadores em arte e cultura de Salvador, notadamente os setores excluídos pelo gestor estadual, o secretário equívoco, Márcio Meirelles.

Mesmo assim diversos ativistas culturais com alta consciência crítica dos desmandos das administrações passadas na cultura do município e nas gestões passadas e na atual do estado da Bahia foram eleitos delegados municipais de cultura. Sabedor disso o senhor Márcio Meirelles fez de tudo para esvaziar a II Conferência Territorial de Cultura com o firme propósito de impedir que um grande contingente de opositores fosse a Ilhéus “bagunçar” a SUA conferência estadual de cultura.

O esvaziamento obrigou a que apenas seis delegados fossem eleitos para representar dez cidades da região metropolitana, incluindo Salvador, cuja delegação propôs a quebra do regulamento pelo poder soberano e pleno da plenária e a votação de vinte e cinco delegados para a região metropolitana.

Ao ser notificada que o poder da plenária era “pleno até certo ponto”, os delegados de Salvador retiraram-se da conferência junto com os delegados governamentais de Itaparica e Vera Cruz. Isso inclusive foi filmado e consta no vídeo que já está no You Tube. Compreendemos a defesa que a delegada civil fez da secult, e realmente, ELA não estava com a nossa delegação.

Confirmada a nossa decisão imediatamente o senhor Márcio Meirelles ligou várias vezes para a FGM exigindo que o seu presidente Antonio Lins nos convencesse a voltar atrás. E pediu a cabeça da gerente Ilna Baptista. Insistiu várias vezes no seu intento, mas o presidente da FGM manteve-se firme. Teve até telefonema do governador nesse sentido, o que não abalou a postura do poeta gestor da cultura municipal. O secretário então partiu para a estratégia de vingar-se tentando jogar o interior do estado contra a capital, confirmando mais uma vez o tamanho do seu caráter.

E passou a acusar a FGM de aceitar como delegados pessoas que se mostraram críticos da gestão cultural do município e do estado e de ter fomentado a tomada de posição da delegação municipal, desqualificando, invisibilizando e desrespeitando frontalmente o conjunto dos delegados municipais e cada delegado pessoalmente, reduzindo todos a meros fantoches, marionetes descerebrados da instância municipal de cultura, supondo que no município acontece o mesmo tipo de política que é comum na sua gestão: a cooptação bizarra de artistas, escritores, gestores e ativistas da cultura em todo o estado e com isso a fácil manipulação de pessoas e entidades para o trabalho politiqueiro de reeleger Jaques Wagner.

Assim o atual secretário da cultura acusa a FGM de fazer na prática a democracia que ele teoriza, mas não pratica, ao não admitir oposição, crítica, oponentes, opostos, seguindo desse modo a linha política leninista-estalinista ou comuno-fascista de gestão da coisa pública que ordena “destruir o que não pode ser controlado” ou “usar da mentira e implantar o terror entre as fileiras inimigas” (Lênin).

Porque a FGM não teve NADA a ver com a decisão dos delegados municipais e em momento algum se meteu na hora da eleição dos delegados, como faz a secult nas SUAS conferências. Manipula, tergiversa, mente, joga uns contra os outros pela simples ambição da hegemonia e do totalitarismo cultural em nosso estado para gáudio dos leninistas-estalinistas, das “viúvas” ou “órfãos” de Lênin e Stálin, os carniceiros vermelhos.

Realmente, entre os delegados estão muitos dos que criticaram com veemência a Fundação Gregório de Mattos. Mas foram eleitos muito pelo simples fato de ser um poeta, e não um equívoco, a dirigir a FGM. E de contarem com o apoio irrestrita de Ilna Baptista e de toda a equipe da Fundação Gregório de Mattos, ao contrário da secult que nos vê a todos como inimigos que devem ser destruídos ou cooptados e virarem “mortos-vivos”. Porque Márcio tenta a todo custo a vingança, a perseguição, a exoneração, a exclusão dos que, num estado plural como o nosso, pensam diferente do secretário.

A secretaria estadual da cultura devia parar um pouco de cooptar e manipular para perceber que as políticas públicas de que precisamos já estão criadas há muito tempo, que o seu papel principal é o de apoiar e fomentar essas políticas já existentes em todo o estado. Na verdade as conferências, fóruns, encontros, seminários são muito mais ações de marketing político porque não precisamos de mais propostas que nunca são executadas, como acontece até então, depois de três anos de gestão.

Precisamos sim, de executar as novas propostas, mas principalmente de apoiar por todos os meios disponíveis, e por criar, de financiamento e apoio cultural às políticas que estão sendo praticadas há muito tempo sem apoio algum.

Não dá mais para o secretário brincar de “faz cultura” e usar o “fundo de cultura” sem ir ao fundo das questões principais da cultura baiana como um todo, sendo que a principal delas é justamente o descaso, a desvalorização, a desqualificação absoluta das políticas que o público já vem pondo em prática e multiplicando, de modo precário muitas vezes, mas sem depender dos recursos que deveriam receber prioritariamente de um estado consciente de seu papel de indutor da produção e da qualificação da cultura.

Cego de vingança agora o secretário Márcio tenta por todos os meios impedir que os delegados municipais viajem, mesmo sem direito a voto, para a conferência em Ilhéus. Para tanto não demonstra o menor escrúpulo em usar alguns integrantes do demoníaco “Conselho Estadual de Cultura”, demoníaco porque não passa de um ninho de “viúvas do carlismo”, as REAIS viúvas ligadas ao DEM, por sinal muito bem pagas e que infestam o governo Wagner agindo livremente com suas velhas e conhecidas práticas facistóides, mas em total consonância e obediência às ambições do governador.

É mesmo uma pena que o secretário Márcio não tenha um mínimo de humildade e de capacidade de diálogo. Diretor Teatral do tipo “autoritário” quer fazer de todos nós seus atores marionetes com o mesmo esquema do saco de moedas e do chicote. O saco de moedas foi pulverizado pelos territórios de identidade para esconder as carretas de dinheiro que continua a rolar para os mesmos privilegiados pelos governos passados dos quais Márcio sempre foi serviçal convicto e bem aquinhoado. E o chicote agora é eletrônico para alcançar em tempo recorde a multidão de desafetos que o secretário mantém, sob o peso de sua mão, neutralizados, conformados, invizibilizados.

Foi com esse mesmo chicote eletrônico em rede de perversidades que conseguiu atear fogo em Ilna Baptista, a musa dos delegados municipais de cultura, e vem ateando em todo aquele que lhe tem voz crítica. Como não sabe dialogar, reconhecer que errou e pedir desculpas, o truculento e vingativo secretário se vale de um manancial imenso de mentiras com as quais armou o cenário do grande espetáculo ilusionista de uma cada vez mais improvável reeleição.

Geraldo Maia, poeta, escritor, arte educador, ambientalista, editor, e delegado municipal de cultura.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Seria Cômico se não fosse Trágico...


Leonelli deu ordem de despejo ao Armazem Cenográfico. A Secult-Funceb tem até terça feira, 24 de novembro, para desocupar o espaço ocupado pelo Armazém no Centro de Convenções.

Desde sua posse que Márcio vinha sendo advertido da necessidade da renovação-prorrogação do termo legal que autorizava o uso do espaço do CCB. Como não foi dada importância nem encaminhamento algum, a Bahiatursa se sentindo desrespeitada se posicionou pela retomada do espaço, Leonelli imediatamente concordou e despachou com urgência pela desocupação e retomada da área, em mais um capítulo de sua briga com Márcio.

Só resta esperar a consumação da desgraça e assistir os desdobramentos públicos que certamente virão, inclusive porque tem acervo de Verger depositado no Armazém... imaginem !!!

Nos últimos três anos da despolítica cultural implementada pela Sepult, eu me pergunei ingenuamente: por que o governador Wagner aceita este desgaste? Retardado que sou, demorei para compreender a razão. Mas agora compreendi que é simples: ele encontrou no oportunista secretário de cultura, MM, alguém capaz de implementar as atabalhoadas ideias petistas para o setor. A principal delas, e mais nefasta – para a arte não para a política – é a utilização da cultura como instrumento de construção de currais eleitorais, uma prática antes condenada, mas agora novamente utilizada à larga. E MM gostou tanto do papel, que assumiu ares de César colocando seus desafetos, principalmente os que participaram do Cultura na UTI, numa lista negra, e ordenou de modo imperial: “A esses nem pão nem água”!.
Em três anos de despolítica, não houve coisa alguma além de reuniões – nas quais sempre há uma derrama do nosso minguado orçamento – e uma raquítica, senão insignificante, ação. O que foi feito neste período? Bem, a rigor, nada. Não existe um projeto de vulto, e não me venha falar do Museu Rodin, o ex-execrado, agora exaltado, que isso me dá frouxos de risos, pois cinismo assim jamais pensei ver. Tudo o que se viu nestes três anos foi uma destruição cavalar: trocando o nome dos lugares e dos projetos para não dar crédito aos antecessores. Mesquinhez, miudeza de espírito.

E esse espírito miúdo, pequeno, gerou uma lista negra de artistas, aqueles artistas que ousaram dizer o nome ao expressar o seu descontentamento. Certamente, agora, o primeiro nome da lista será Emanoel Araújo, antes deve ter sido João Ubaldo Ribeiro, ou eu próprio, mas não sou tão convencido assim, sei que sou persona non grata, mas jamais pensei que o rancor, o negrume do coração pudesse elaborar uma lista de desafetos com o único objetivo de perseguí-los. Pois, pasmem, MM construiu pacientemente uma lista de artistas que, enquanto ele estiver no poder, seus santos nomes estarão na fogueira, portanto, alijados dos seus projetos. Não adianta insistir.

Como venho dizendo, há alguma coisa na trajetória de MM (porque rima com ACM com quem ele se afinou tanto), que faz seu caráter nutrir um ódio mortal aos artistas. Ele próprio, que é um artista de certa estatura plástica, construiu por seus pares um olhar cuja visão parece estar sempre manchada por uma cortina de sangue saída de uma cena de ódio. Ele tem a capacidade de destruir tudo o que beneficiava aos artistas. Foi assim quando engendrou o projeto de reconstrução do TCA eliminando as 12 salas de ensaio, foi assim quando quis vender o TCA por R$ 30 milhões para construir um shopping center, foi assim quando destruiu a programação de animação do Pelô ( e quis mudar o nome para Centro Antigo, ui, ui), foi assim quando espatifou o Balé Teatro Castro Alves, quando pulverizou as verbas dos editais para implementar o plano da demagogia eleitoreira para os currais territoriais. Além disso, a pulverização trouxe o desmantelo de um sistema que já estava vetusto, mas agora caducou. Chegou-se ao requinte de, às portas de 2010, liberarem, finalmente, as verbas dos editais de 2008, e ainda em 2010, outros tantos de 2008 ainda não terão sido executados. Qual a razão de desmantelar um sistema tão simples de fomento à produção artística? Ódio, somente o ódio explica, nada mais.

Mas antes que eu me esqueça, quero lembrar a frase que a atriz Nilda Spencer mais gostava de dizer na peça Ensina-me a Viver (Collin Higgins), que fizemos juntos: “Isso também passará”.

Gideon Rosa, ator, jornalista.

ENCONTRO DOS SATEDs DO NORDESTE


Foi realizado na cidade de Fortaleza – Ceará, no ultimo dia 15 de outubro de 2009, o primeiro encontro de SATEDs do Nordeste, com a participação dos Estados de: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco e Piauí, além de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e o Colégio Nacional dos Sateds - CONATED.

Nesse encontro foram discutidos temas referentes ao cumprimento da lei 6.533/78, no sentido de uma maior fiscalização dos espetáculos que circulam pelo Nordeste. Dentro das discussões foram definidos os seguinte pontos:
• A realização de um Fórum Permanente dos SATEDs – Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões dos Estados do Nordeste, num período quadrimestral (três vezes ao ano), a ser realizado em cada Estado, consecutivamente. A cada edição, o SATED local recepcionará os demais com toda a infra-estrutura necessária, ficando a cargo de cada SATED as despesas relativas ao deslocamento.
• Sistematizar o Processo de emissão do Atestado de Capacitação Profissional, bem como a metodologia dos Exames da Banca Examinadora.
• Firmar um acordo ético entre os SATEDs, ratificando a importância do respeito à base territorial de cada entidade.
• Discutir as prerrogativas do CONATED – Colégio Nacional dos Artistas e Técnicos, bem como agilizar as burocracias para legalização e eleição.
• Sistematizar um modelo eficaz de fiscalização entre os SATEDs, onde cada sindicato local se comprometerá a exigir de cada produção visitante o documento de “Liberação de Espetáculo”, emitido pelo SATED do seu Estado de origem.
• Elaborar uma lista das novas funções profissionais, surgidas a partir das novas mídias, principalmente na área de áudio visual, com as suas respectivas descrições, para a construção de uma proposta de Atualização do Quadro Anexo de Funções do Decreto nº 82.385, de 05 de Outubro de 1978, da Lei nº6.533, de 24 de maio de 1978.
• Firmar com a Federação Nacional de Cultura – FENAC, um acordo Salarial (convenção coletiva) aplicável a todos os SATEDs do Nordeste.

Essas propostas foram resultados do I Fórum Nordestino das Entidades Culturais promovido em julho /2009 pelo SATED Alagoas, que contou com a presença de representantes sindicais de Alagoas, Ceará, Minas Gerais e Pernambuco.

Neste encontro foram definidos os seguintes pontos contidos na pauta do I Encontro dos SATEDs-NE, com as seguintes conclusões:
• II Encontro dos SATEDs-NE será realizado nos dias 19 e 20 de Janeiro de 2010 na cidade de São Luiz do Maranhão, para apresentação e discussão dos grupos de trabalho tirados em Fortaleza,
• Criação da Federação dos Sateds,
• Legalização e filiação dos sindicatos ao Conated,
• Estudo Jurídico acerca da criação de um Departamento de Artistas e Técnicos na Fitdeca (Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Difusão Cultural e Artística do Nordeste).
• Filiação na Inter Artis -Associação de Gestão Coletiva de Artistas Intérpretes do Audiovisual do Brasil, sociedade civil sem fins lucrativos, instituída nos termos da Lei 9.610/98 e inscrita no CNPJ/MF sob o nº 07.865.152/0001-04
• Padronização de Liberação de Espetáculos dos SATEDs,
• Padronização da Carteira de Filiação dos Sateds, respeitando a logo-marca de cada entidade,
• Criação de um site para a existência de um banco de dados da situação cadastral dos artistas e técnicos filiados aos SATEDs.

Também foram discutidas soluções para a fiscalização dos espetáculos no atendimento da aplicação da Lei nº 6.533/78, com as seguintes conclusões;
• Reunião entre as diversas Produtoras e o Sindicato na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego da região respectiva, no que tange a regulamentação da profissão do registro profissional dos artistas e técnicos e o registro das produtoras,
• Assinar um Termo de Ajuste de Conduta entre os SATEDs e as Produtoras no Ministério Público do Trabalho em cumprimento a Lei nº 6.533/78,
• Para a circulação de Espetáculo pelo Nordeste será necessária a apresentação da Liberação do Sated na base territorial de cada companhia ou grupo Profissional,
• Fiscalização constante das diversas companhias ou grupos advindos de outros estados,
• Tabela Referencial de Taxas Administrativas,
• Enquadramento Sindical indevido para o SENALBA e outros Sindicatos pelo recebimento da contribuição Sindical de Artistas e Técnicos,

Durante o Encontro também foram tirados alguns grupos de trabalho para agilizar soluções para o próximo encontro a ser realizado em São Luiz do Maranhão;
• Padronização de Documentos (SATED-AL)
• Procedimento Operacional da banca examinadora
• Proposta de Tabela Referencial de Taxas
• Discutir prerrogativas do Fenated – Estatuto e Amparo Jurídico (SATED- MG
• Legalização dos SATEDs em desenvolvimento, (MA, PI e RN),
• Elaborar uma pesquisa das novas funções e descrições para Atualização do Quadro Anexo do Decreto nº 82.385/78 (Bahia e Rio Grande do Sul)

01 - Também ficou de tirar a “Carta Ceara” para o Ministério do Trabalho na questão da agilidade do enquadramento da Carta Sindical dos Estados do Piauí, Maranhão e Rio Grande do Norte.
02 - Carta Ceará de acordo ético, ratificando a importância do respeito à base territorial de cada entidade

Estiveram presentes no Encontro dos Sindicatos os seguintes estados:

1. SATED Alagoas - José Vieira
2. SATED Bahia - José Carlos Ngão,
3. SATED Ceará - Oscar Roney
4. Maranhão - Charles Melo (Carta Sindical em processo)
5. SATED Pernambuco - Ivonete Melo
6. Piauí - Jonni Clay e Luzia Amélia (Carta Sindical em processo)
7. SATED Minas Gerais - Magdalena Rodrigues (Presidente do CONATED)
8. SATED Rio Grande do Sul – Vinicius Vicário

quinta-feira, 12 de novembro de 2009


Os delegados e ativistas da Conferência Territorial de Cultura da Região Metropolitana de Salvador, etapa ocorrida em Salvador nos dias 07 e 08 de novembro do corrente ano nas instalações do Liceu de Artes e Ofício, localizado no Centro Histórico da cidade, vem a público manifestar seu repúdio contra a forma desrespeitosa com que o Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura convocou e conduziu o processo de realização da referida conferência, agravado pelos seguintes fatos:

1. Sendo de sua responsabilidade a organização e coordenação da Conferência Territorial de Cultura, a Secult o fez de maneira inadequada, com falhas de comunicação (outdoor veiculado sem a indicação do local), intempestiva (apenas um turno para o debate das propostas), falta de apoio logístico como os simples blocos de nota, canetas, lápis, borracha , apoio para alimentação dos delegados, em confronto com os artigos 31 e 32 da seção 3, e do artigo 7º do decreto nº11.695/09, do regulamento da III Conferência Estadual de Cultura da Bahia, que trata das conferências territoriais, causando assim um desastroso esvaziamento daquela que seria uma plenária estimada em 500 participantes. Tivemos pouco mais de 180 pessoas inscritas e algo em torno de 60 pessoas durante a discussão, aprovação das propostas, e da escolha de delegados, cuja votação aconteceu em hora adiantada (21h de um domingo) o que contribuiu também para diminuir a participação dos delegados num momento tão importante.

2. Levando em conta o contingente populacional da região metropolitana, com 41% do PIB, onde o município de Salvador tem aproximadamente ¼ da população do Estado da Bahia , um território que tem algumas das principais cidades, a Conferência Territorial de Cultura deveria ter recebido um tratamento à altura dessa importância, com uma metodologia mais apropriada, um tempo maior para as discussões, a presença de conferencistas que introduzissem os temas, e com pessoas mais qualificadas para a condução dos trabalhos.

3. Outro aspecto que confirma o descaso com que foi tratada a II Conferência Territorial de Cultura foi a ausência de recursos de acessibilidade tanto nas instalações arquitetônicas do local quanto em relação à acessibilidade na comunicação, restringindo assim a participação plena de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, não obstante tais recursos serem estipulados por Lei desde o ano 2000 e regulamentados pelo Decreto Federal 5296/2004.

4. Diante do exposto, os 25 delegados levando em conta a população da Região Metropolitana de Salvador, propuseram, utilizando o poder soberano da plenária, a quebra do regulamento por entender que apenas 9 delegados não representariam as demandas de 11 municípios, e a instituição do coeficiente de 25 delegados para a região metropolitana como um todo, o que foi rechaçado pela Superintendente de Cultura , Ângela Andrade, alegando, após um suposto telefonema ao coordenador das conferências do Minc, que a quebra do regulamento não seria acatada , com risco de impugnação da conferência territorial, decretando, dessa forma, que a plenária não tinha poderes para tanto.

Diante da ausência do secretário de cultura, que seria a pessoa regimentalmente com poderes para decidir o impasse ali no momento (conforme estabelecido no artigo 8º, inciso 2, do decreto nº 11.695/2009) a delegação de salvador resolveu manter a sua proposta e retirar-se como forma de protesto e por considerar aviltante e insuficiente o quantitativo de apenas 9 delegados representando um território com a magnitude cultural e econômica da região metropolitana na III Conferência Estadual de Cultura.

5. Por fim, entendendo ser o processo democrático a via mais saudável para a condução das relações entre poder público e sociedade civil, por compreender a relevância da cultura como vetor fundamental para o desenvolvimento e ascensão da dignidade humana, por considerar que o espaço das conferências figura como fórum privilegiado para o debate dos destinos das políticas públicas e por acima de tudo, considerar que o poder público deve conduzir suas ações de forma respeitosa e responsável, decidimos tornar público a indignação e o posicionamento da delegação do município de Salvador presente à citada Conferência Territorial de Cultura, pelos motivos acima relacionados.

Salvador, 08 de novembro de 2009

Delegados eleitos na última Conferência
Municipal de Cultura e Ativistas Culturais:

Anderson Rodrigo dos Santos Borges
Caio Cesar Oliveira, Tânia Maria Mendes dos Santos
Carmo Lédna Pereira Barbeitos
Cirlene Carneiro de Araújo
Edilsom Bispo dos Santos
Franciane Simplício Figueiredo
Geraldo Maia Santos
Gicélia da Cruz
Ilna Cristina Ferreira e Baptista
Janete Cristina Catarino de Sousa
João Fernandes da Conceição Matias
Jorge
Douglas Reis de Almeida
José Araújo Batista
José Ednilson Almeida do Sacramento
Josiane Oliveira Guimarães
Marcos Cristiano Viana de Barros
Maria das Graças Santos
Maria de Fátima Sobrinho
Robson Santos
Ronaldo Eloy de Jesus
Santiago Oliveira Luz Junior
Sergio Reis
Silvana Reis
Tainã Andrade
Tiago Nascimento Oliveira
Xauan Tupinambá

por Gil Vicente

O Teatro NU acaba de receber um comunicado urgente do Fundo de Cultura:

“Prezado Senhor,

De: Ciro Nunes Sales
Diretor de Fomento à Cultura
Fax: (71) 3341-1355

Informamos que a Comissão de Pré-Seleção do Fundo de Cultura da Bahia resolveu não pré-selecionar o projeto “TEATRO NU CINEMA – II EDIÇÃO – MOSTRA BAIANA” - Processo nº. 0800090029521, haja vista que após atribuições de notas individuais de cada Comissário, o mesmo obteve a pontuação final de 29,57 pontos e não alcançou o mínimo estabelecido no item 8.3 da Portaria nº. 051/09 – SECULT.
Para seu conhecimento, informamos ainda que os critérios para os quais o projeto não obteve a pontuação média foram: 8.2.a “valor cultural do projeto”, 8.2.b “viabilidade técnica do projeto” e 8.2.f ”aderência aos objetivos do Fundo de Cultura da Bahia”.

Atenciosamente,
CIRO NUNES SALES
Diretor de Fomento à Cultura”



Esse comunicado é referente – como se evidencia acima, a uma segunda edição que faríamos do projeto Teatro NU Cinema. O projeto consiste em levar teatro para as salas de cinema, através de peças curtas que passariam antes das sessões, em frente à tela do filme.

A primeira edição foi chamada Mostra Tchekhov e contemplava três peças curtas do grande autor russo. O projeto ocorreu de forma satisfatória, e pudemos perceber, pelos questionários preenchidos, a satisfação do público de cinema que, em boa parte, nunca havia ido ao teatro; pasmem.

O retorno que tivemos, para além do público comum, de artistas, do grupo Sala de Arte e tantos outros foi o que nos estimulou a realizar uma segunda edição.

Imediatamente, pensei em contemplar a dramaturgia baiana, sempre com pouco espaço nos palcos da cidade de forma regular. O intuito era também – não só estimular novas criações dramáticas – como difundir o nome e o trabalho de dramaturgos baianos nas salas de cinema, ampliando possibilidades, dialogando com essa abissal distância que separa muitas vezes o público comum dos artistas de Salvador.

Pois bem. Primeiramente o Fundo de Cultura veio com suas famosas diligências. Acho engraçado e me pergunto se alguém já recebeu alguma diligência do Fundo de Cultura contestando valores baixos de cachê para atores, ou exigindo contratação de profissionais a mais para o projeto para que ele ocorra em perfeitas condições. Não. Até onde eu sei, as diligências são sempre pra abaixar cachê, cortar pessoal, questionar técnicos, artistas, fichas técnicas, enfim, uma comissão que deveria prezar pela qualidade, pela possibilidade de um artista ganhar bem, parece funcionar na barganha de “até quanto você desce pra gente poder te dar o dinheiro”. E lembro sempre de minha mãe; quem muito se abaixa...

Não pretendo aqui fazer um artigo reclamando de uma reprovação. Faz parte do jogo, perder. E eu também não posso esperar muito das sucessivas comissões de prêmios e editais, carentes, em sua grande maioria, de capacidade, competência e integridade profissionais.

A questão não é essa. É muito mais grave. O mesmo Fundo de Cultura, que aprovou o Teatro NU Cinema – Mostra Tchekhov, fez três considerações totalmente absurdas sobre a segunda edição do projeto. O problema em questão são as considerações. Talvez contemple os pareceres e diligências absurdos que muitos projetos vêm recebendo, e pelos quais muitos proponentes vêm se calando.

Vamos a cada uma:

8.2.a “valor cultural do projeto”
Vivemos uma política terceiromundista ressentida e burra de nos fecharmos em nossa própria cultura, como se nossa cultura não fosse uma contaminação do que acontece no mundo inteiro, e que naturalmente deveríamos dialogar. Mas se a cultura na Bahia está neste histerismo de africanidade, cultura popular, folclore e pobreza, o Fundo de Cultura achou o valor cultural de um projeto com textos de Tchekhov mais valoroso do que um com dramaturgia baiana. Isso é esquizofrenia, palavra que define bem os rumos da cultura no estado. Quer dizer que um projeto que tinha valor ano passado não tem mais esse ano? Por que? Porque a dramaturgia baiana não tem valor? Porque nossa equipe deixou de ter valor de um ano pra outro? É tão desvaloroso levar o teatro aonde o povo que poderia curtir teatro está? Fazendo teatro? Criando um mercado de trabalho, empregando mais de vinte profissionais, em torno da arte?

8.2.b “viabilidade técnica do projeto”
Esquizofrenia. Só pode ser isso. No primeiro ano, que seria um tiro no escuro, conseguimos realizar o projeto e o Fundo de Cultura achou ele viável sem nenhum antecedente que comprovasse a eficácia do mesmo. E realizamos tudo nos conformes, tudo aconteceu de forma normal, sem sobressaltos. Tendo realizado o primeiro, o que faz o Fundo de Cultura do Estado da Bahia considerar o projeto inviável tecnicamente numa segunda edição projetada nos moldes da primeira?

8.2.f ”aderência aos objetivos do Fundo de Cultura da Bahia”
Realizamos o Teatro NU Cinema em abril deste ano. Em seis meses, deixamos de aderir aos objetivos do Fundo de Cultura da Bahia?

O Teatro NU acabou de realizar o “Diálogos sobre dramaturgia contemporânea, ano I” através do Fundo de Cultura da Bahia. Foi um projeto que foi bem-sucedido, a ponto de me fazer pensar, imediatamente após o término dele, em projetar o “Diálogos sobre dramaturgia contemporânea, ano II”. Fico com receio, agora, do projeto não ter mais valor artístico, nem viabilidade técnica e nem tampouco aderir aos objetivos do Fundo de Cultura da Bahia. Será que é proposital deste governo, para além de interromper projetos do governo passado, abortar idéias, que possam ter uma continuidade, surgidas durante sua própria gestão?

Com todo respeito que tenho a Ciro Nunes Sales, receber esse comunicado assinado por um menino sem nenhuma história na cultura baiana, que ficou responsável, de repente, pelo principal órgão de fomento às artes na Bahia – sabe-se lá pela indicação de quem – não sei se me deixa mais incomodado ou mais resignado.

Muitos fazem campanha pra que as leis de incentivo cada vez mais se enfraqueçam em prol de um Fundo de Cultura onde o estado tenha a decisão sobre os recursos, e não a iniciativa privada. O grande argumento é que a iniciativa privada só pensa no lucro, só pensa no retorno financeiro, só pensa em artistas de peso. E a gestão pública? Pensa em que? Pensa?

Viva Kafka, Beckett e Ionesco
Pimenta no dos outros é refresco.



Gil Vicente Tavares
gvtavares@teatronu.com
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